Linhas


Como lidar com o que escapa aos sentidos? qual é o tamanho do meu pertencimento nessa existência tão caótica e fragmentada?
Escrever sobre a linha é desenhar virtualmente caminhos percorridos pelo olhar, que constantemente são borrados pelo astigmatismo cotidiano. Certamente que falo de mim.
Retomar a atenção para a linhapalavra, (re) pensar uma escrita poética sendo concretizada em um espaço virtual, que como as linhas que me acompanham, hora existem, hora não. Estão nas travessias cotidianas regadas de invisibilidade, de contornos borrados e materialidade duvidosa.
Por esses tempos achei a Meada que me contou de um fio nosso perdido no tempo. Paramos, respiramos juntas e olhamos para o esquecimento, ali no silêncio de quem prende a respiração e apenas sente o coração a pulsar vida desesperadamente clamando pela liberação do ar tóxico e a entrada do novo (poluído).
Minha escrita estava escondida em um não sei onde de mim, alguma linha rompida pela violência do querer ser alguém sem SER.
As coisas que importam estão na caixinha remendada dos sonhos, pois como já disse Cartola "o mundo é um moinho, vai triturar seus sonhos, tão mesquinho, vai reduzir suas ilusões a pó".
Em paralelo, traço o risco em giz de lousa no chão que caminho, quero aproveitar sua materialidade efêmera para lembrar que o rastro difuso vira abstração e o pó se mistura, já não é um objeto inteiro, são múltiplos, unidos e ocupando as frestas do invisível, reinventando um novo modo de existir.

Comentários